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Abril 26, 2015

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Arquitetura no Terceiro Mundo.

Outubro 24, 2009

Didi, Dedé, Muçum e Zacharias na Arquitetura Paulistana do Terceiro Mundo

Meu Brasil Brasileiro

Setembro 10, 2008

faz 2 meses que faço caminhada em marcha para perder peso. Quando fiquei saidinho resolvi correr. Nâo era uma corrida contínua, corria 300m e andava mais 500m em 45 minutos no clube da mooca. Em duas semanas nesse esquema, além de nao queimar calorias no meu corpo, ganhei uma dor no joelho direito que se perdura até hoje, nesse instante. Fui procurar ajuda no hospital vila alpina que é do estado. Após 3 horas e meia fui atendido pelo ortopedista ele fez ao olhometro o diagnóstico sem tirar raio x. Me deu um antiflamatório, o cataflan, que é como um merthiolate, um medicamento comum e … que se foda. No último sábado, o casal de filósofos rosangela e fabrício me levaram na usp e aconteceu o mesmo procedimento medieval, a médica olhou passou a mao, deu umas apertadinhas na regiao lesionada e deduziu que era uma inflamação, sem tirar raio x novamente.

fiquei aperriado com a situação e na terça-feira dia 9 de setembro fui em uma clínica particular. Aí sim tiraram raio x e tive um diagnóstico mais preciso

sabe… acredito que a única coisa que funciona do governo é o bombeiro, de resto… é uma ineficiencia absurda. É aí que eu vejo o terceiro mundo aparecendo latente no Brasil.

Obrigado a Rosangela e ao Fabrício que perderam um sábado para tratar das dores de um amigo.

abraço a todos.

MOTOMO O FLAGELO DE DEUS PARTE 2

Agosto 19, 2008

“MOTOMO : O FLAGELO DE DEUS”

Parte 2: “Dor, Lágrimas e Retaliação ”

O Tilo, tem uma irmã mais velha, 6 anos de diferença: a Kátia. Inteligente e um “amorzinho de menina”. Não tinha as malícias da rua, mas algo atraía a atenção dos mano ou dos prreeeibóis: Ela era muito bonita, que apesar do corpinho mignon, sustentava o par de seios mais cobiçados da rua Umuarama, que segundo os assíduos freqüentadores do bar do Messias e do Luizão: “não eram grandes, nem pequenos, eram perfeitos. A única coisa que o seu Rafael fez de bom de nessa vida maledeta” (ela se casou ano passado e continua iguauzinha).
Os primos do Tilo: o Celão e o Marcão, que são irmãos, são 10 anos mais velhos que o priminho. Esses dois, além de extremamente engraçados, são fãs de música pop, mas tem uma preferência por aquilo que eu ouviria como sinônimo de heavy, e thrash metal: “curtir um som”. O que essas pessoas tem haver com o Motomo? Tudo. A família do Tilo, Conseqüentemente a Kátia e a família do Celão e do Marcão moram na mesmo lote, porém em casas diferentes. Uma prática normal em famílias de procedência européia, especificamente a italiana. O lote do Tilo é de frente da casa do Motomo, que ia visitar os irmãos Celão e Marcão para trocar idéias sobre músicas, darem risadas juntos e aproveitava para ver a Kátia e seus… hã… Sua. Envergadura moral. Resumindo: o Tilo conhecia o capeta.

A Molecada se encontrava na esquina da rua Barra do Campo com a Umuarama. O assunto do Domingo de manhã era: o que era aquilo?

Silêncio.

Tilão mais uma vez: Ele mora em frente de casa. Dizem que ele repetiu o ano na República (República do Paraguai: escola estadual da Vila Prudente).
Issao: E daí?
Tilão: Ele repetiu o ano, pois foi expulso por brigar com um cara da sala. O irmão mais velho do moleque entrou na briga. O Motomo bateu nos dois. O pai dele é investigado da polícia. Quando soube, deu uma pisa no Motomo que ele nunca mais ficou o mesmo. O que já era assustado, virou…
Ahhh!!!! Não sei!!! Depois ele entrou no exército e aí… Fodeu. E ele se transformou naquilo que vocês viram ontem.

“Tilo! Seus primos estão em casa”
Era ele. Ninguém se mexeu. “E agora?” Era o que todos pensavam naquele instante. Nem reparei se ele estava de coturno, sem coturno, com camiseta do capeta (iron maiden- the number of the beast), só queria ir embora de qualquer jeito.

“Não, eles foram à feira, daqui a pouco eles voltam”.
O Tilo cometeu o maior erro de sua infância ao pronunciar essa frase

MOTOMO: Então vou ficar esperando aqui.

“Deus nos ajude” era o que estava estampado no rosto de cada um.

MOTOMO: Caralho! Nem cumprimentei você

O Motomo estendeu a mão para o Tilo. Tudo bem. Depois foi pegando a seqüência. Cumprimentou-me até chegar no Coquinho (filho de retirantes, que morava no cortição ao lado da Barbearia do seu Alcides).

Motomo: Ô MOLEQUE!!!!! O QUE FOI??!!!!?!!!!!!!!

Senhores, acaba de ser inaugurado oficialmente a era “MOTOMO:O FLAGELO DE DEU”, que foi inaugurado oficialmente nesse episódio: Janeiro de 1990.

Continuando:

Coquinho: …
O coitado do coquinho não conseguia nem respira, quanto mais chorar. O Motomo ainda estava com a mão segurando a mão cadavérica do moleque.

MOTOMO: VAI, CARALHO!!!!! PORQUE VOCÊ NÃO OLHA PRA MIM PORRRRRAAAA!!!!! VOCÊ PENSA QUE EU SOU LEPROSO???!!!???? RESPONDE POOORRRAAAAAAA!!!!!
Coquinho: Não.
MOTOMO: ENTÃO PORQUE VOCÊ NÃO OLHOU PRA MIM CARALHO??!!!??? VAIII RRRESSSSPPPONNNNDEEEE, MOOOLEEEEQUEEE!!!!!
Coquinho: …
O coitado do Coquinho começou a chorar. Não expressava nenhuma expressão, só o pavor estampado em seus olhos que brotavam lágrimas. O danado nem piscava. Parecia um cadáver chorando. A gente ali, impotente, um bando de covardes, mas não era um apenas um cara mais velho era… O MOTOMO.
MOTOMO: PARADE CHORÁÁ MOLEQUEEEE!!!!!
O Coquinho passou a mão esquerda no rosto, pois a mão direita ainda se encontrava na mão do Motomo. Mas ele não conseguiu…
MOTOMO: QUAL O SEU NOME MOLEQUE?
Coquinho: noonononononnoono
MOTOMO: O QUÊ? SE TÁ TIRANDO COMIGO MOLEQUE?
O Coquinho não conseguiu agregar forças para pronunciar sequer o seu nome.
MOTOMO: PARA DE CHORAR CARALHO… PÁÁRAAA DE CHORAR MMMOOOOLLLLEEEEQUEEEE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Os passarinhos que estavam na árvore perto da gente, fugiram. O cachorro do “Mixirica” (um catador de papelão da rua) o “Araquém”, que estava do nosso lado, deu no pinote. A voz do Motomo reverberou mais alto que os gritos conjugados dos feirates.
O Coquinho ficou com os olhos esbugalhados, estava parecendo um boneco de cera. Ficou em estado de choque. Bom, ao menos parou de chorar. Os demais, incluindo eu, estávamos parecidos como aqueles bonecos do Kraftwerk.

MOTOMO: VAI MOLEQUE, QUAL O SEU NOME!
Coquinho: … Marcelo …
MOTOMO: CARALHO TILO, PARA DE ANDAR COM ESSE LIXO.
O Tilo fez um tímido sinal de positivo com a cabeça enquanto o Josué estava subindo a rua.
Ele viu o MOTOMO. Acredito que pensou em voltar, mas a galera tava lá. Qual o problema? Foi. Esse foi o primeiro grande erro do Josué em toda a sua vida.
Ao se aproximar, notou que o clima estava muito pesado. Tanto que nem cumprimentou ninguém. Sentou do lado do André, que estava no canto e foi aí que:

MOTOMO: E AÍ MOLEQUE. NÃO VAI CUMPRIMENTAR OS CAMARADA NÃO?
O Josué ao invés de cumprimentar todo mundo, cumprimentou apenas o MOTOMO. Nem se deu conta disso, ficou ansioso e se fodeu. Se fodeu grande.
O Josué era o regime do Cazuza, tanto que depois seu apelido iria ser “ZuZa”. O Cara era muito magro. A mão do MOTOMO cobriu a mão do Josué, Omo se fosse uma caneta.

MOTOMO: ÔÔÔ MOLEQUE, TU É TRAÍRA PRA CACETE HEIM? NEM CUMPRIMENTOU OS CAMARADA. VOCÊ ME CONHECE?
Josué: … errr… pelo Tilo…
MOTOMO: O QUE VOCÊ TEM FALADO DE MIM POR AÍ?
TILO: Teve um dia que você passou na rua e aí eu falei que você era o Motomo e… só…
MOTOMO: QUER DIZER, QUE ALÉM DE SABER SÓ O MEU NOME, VOCÊ É TRAÍRA E CAGÜETA DOS CAMARADA. MOLEQUE… VOCÊ TÁ FUDIDO COMIGO.
Motomo escolheu a sua vítima favorita. O Josué também começou a chorar, mas ao contrário do Coquinho, fez feio. Deu aquele famoso “BUUÁÁÁÁ”, irritando muito o MOTOMO.

MOTOMO: PARA DE CHORAR FILHA DA PUTA!!!!! VAI MOLEQUE, CHEGA!!!! NÃO VAI PARA NÃO É? OLHE PARA O CÉU E SORRRIA MOLEQUE!!!! (sem musiquinha)
JOSUÉ: Hããã?
O Motomo começou a apertar, ou melhor, a esmagar a mão do Josué ao mesmo tempo em que pedia para ele “olhar para o céu e sorrir”.
MOTOMO: VAI MOOOLLEEEQUEEE, OLHE PAA O CÉU E SORRIA, FILHO DA PUTA!!!
O coitado realmente olhou para o céu, mas com um olhar de judeu em Auschwitz, escorrendo uma catarata de lágrimas e com um sorriso que parecia uma careta do Jack Nicholson no Iluminado.

E aí, o Josué disse algo que mudaria para sempre sua vida:

“Motomo, pelo amor de Deus …”

O MOTOMO larga a mão do Josué, como se ele estivesse contaminado com o vírus Ébola.

MOTOMO: DEUS? DEUS?!? O QUE VOCÊ DISSE MOLEQUE??!!!??!!! DDDEEEEUUUUSSSS???!!!!???
Josué: ?????????????????????????

Silêncio

MOTOMO: CINCO VOLTAS NO QUARTEIRÃO DA UMUARAMA COM A JOSÉ ZAPPI (até hoje, não conheço quarteirão maior do que esse na Vila Prudente).
Josué (chorando e com a mão direita destruída): Mas hoje tem feira…
MOTOMO: É MESMO? ENTÃO SÃO SETE VOLTAS.
Josué: … ?????? …
MOTOMO: VAI AGORA MOLEQUE: 1,2,3, VAI!!!! CORRE MALDITO!!!!!

Enquanto o Josué descia correndo a rua chorando, o Celão e o Marcão estavam subindo a rua. O MOTOMO foi a direção aos caras e ficaram do outro lado da rua trocando idéia. Depois de uns minutos o Josué passou correndo. Esqueci de um detalhe: o disgramado estava de chinelo “Samoa”. Um calçado nada aconselhável para quem vai correr.

MOTOMO: VAI MOLEQUE!!!! TÁ MUITO DEVAGAR!!!!! TEM QUE ABAIXAR O TEMPO DESSA PORRA!!!!

O Celão e o Marcão não entenderam nada. Quando o MOTOMO acabou de explicar o que estava acontecendo, ficaram os três dando risada, melhor: gargalhadas. O Marcão até sentou na calçada. E a gente? Bom, o Josué era o prrreibóizinho que andava com a gente, e dava umas mancadas fortes. Na sexta vez que ele passou correndo, com os chinelos entre os dedos da mão e chorando: Ahhh, meu amigo, não deu outra. Nem precisamos falar ou olhar pra cara um do outro, começamos a dar “aquela risada gostosa”, compartilhada, de deixar os olhos úmidos e o diafragma cansado. Só teve um problema: o MOTOMO ouviu.

MOTOMO: TÃO RINDO DO QUÊ CARALHO!!! VAI, TODO MUNDO, CORRENDO JUNTO COM AQUELE LIXO!!!
Começamos a correr na hora. O Tilo deu uma olhada para os primos, mas só conseguiu isso:
MARCÃO: Vai Tilo, corre logo caralho!!!
E desataram a rir. Eles tomaram posse da tal “risada gostosa”
Ao menos corremos apenas 1 volta, enquanto o Josué deu 7 apoteóticas voltas no maior quarteirão da Vila Prudente.

Chegamos bem antes do Josué, pois o coitado estava em frangalhos. Quando ele chegou, a sola do pé do cara, estava cheirando a feira. Correu descalço.
MOTOMO: MOLEQUE, VAI EMBORA AGORA!!!!!!!! CÊ TÁ FEDENDO DEMAIS. SOME DAQUI!!!! SOME DAQUI C O R R E N D O !!!!!

O Josué foi, mas esqueceu de cumprimenta os camarada e… …o MOTOMO.

MOTOMO: AVISA EQUELE MOLEQUE, QUE ELE JÁ TÁ FUDIDO COMIGO. NO SÁBADO ÀS 2:30, EU VOU ESTAR AQUI ESPERANDO ELE. SE ELE ATRASAR, OU PIOR ELE FALTAR, EU VOU CAÇAR AQUELE MOLEQUE.

Foi a manhã mais longa de nossas vidas. Mais longa ainda, para o coitado do Coquinho. Agora, para o Josué, essa manhã de Domingo foi a mais longa de toda a descendência de sua família.

MOTOMO O FLAGELO DE DEUS PARTE 1

Agosto 13, 2008

“MOTOMO: O FLAGELO DE DEUS” PARTE 1

PANORAMA CULTURAL(?)DE 1990.

Para maior entendimento do impacto absurdamente violento da figura do
“Motomo o Flagelo de Deus”.

Começo da era Collor. A Ministra Zélia Cardoso de Melo, criou o “Plano Collor” para tentar diminuir a inflação de 65% ao mês. “Cinqüenta Cruzados Novos”. Era a frase daquele período. Qualquer pessoa que fosse ao banco, só poderia retirar esse valor. Pessoas que me cumprimentavam na rua “Ô Marquinhos, tudo bem? Dá um abraço pro papai e pra mamãe por mim tá!”, sofreram derrames, ataques cardíacos, ficarem loucas ou se mataram. Para uma melhor compreensão de como isso afetou a vida das pessoas, assistam “Terra Estrangeira” do Walter Salles Junior, ou troque uma idéia com seus pais…

Paralelo a isso, o panorama “cultural(???)” do jovem oriundo da classe média paulistana residente na Vila Prudente:

Tudo era colorido. Cores cítricas e néon. Havia até uma caranga da marca Miura, que tinha essa porcaria de néon no pára–choque. Falando em caranga, o sonho de consumo do “jovem paulistano de classe média” nessa época poderiam ser traduzidos em: Opalão Seis Boca, Golziho Gti, Santana Executivo, Escortinho XR3 1.8, Saveirinho 1.8 e o Kadetão com painel Vaga-Lume (Kadet Gsi com Painel Digital), tudo “no chão” e “filmadão”
As cocócórotas só falavam que o Fabinho, o Binho, o Dinho, o Quinho, o Nandinho e outros inhos “Foram me buscar em casa, de (alguma caranga dessas citadas), pra gente í lá na Over (overnight)” Poderia ser na Subway, na Krypton, no Resumo da Ópera ou na Toco. Na verdade todos esses “inhos” não iam levar. Iam buscar os “cofrinhos”…
Puxa vida… Estava quase esquecendo: a chamada “Leva prreibói pro capeta”(na minha rua, costumávamos falar assim dela): a Yamaha RD 350cc. Essa moto, apesar de não ter muita cilindrada, era extremamente leve, carenagem aerodinâmica, desenho inspirada nas motos de 1000cc e posição esportiva de pilotagem. Essa moto, somado à imprudência dos prreeibóois, só poderia dar em uma coisa:
1º. Cococórotas atraídas pelo Prreeibóoi de “RD”.
2º. Cococórotas na garupa com a bunda arrebitada.
3º. Prreeibóoi e cococórota no chão, freqüentemente, da Avenida Anhaia Mello ou da Avenida Salim Farah Maluf, com os corpos dilacerados e moídos no asfalto, misturados à borracha dos pneus dos caminhões. Morreu muito prreeibóizinho com essa moto.

O que se ouvia? A-HÁ. Muito a-há, tanto que o recorde de público no Maracanã no Rock in Rio ll, foram desses caras. Ereasure, Information Society, Tecnotronic, Snap, C&C Music Factory e mais um monte de grupos que usavam batidas eletrônicas. Porém a maior excrescência musical desta época, era justamnte o que mais se tocava nas rádios. Estou falando do “New Kids On the Bloch”.
As meninas da minha sala tiravam nota dez em todas as disciplinas, colecionavam papéis de carta, deduravam os amiguinhos para a professora, quando esta saía da sala e no final do ano, no amigo secreto, escolhiam um LP do “New Kids on the Bloch”. No final de 1989, eu tirei uma menina que pediu o óbvio. Falei para as minhas irmãs comprarem, pois eu tinha vergonha. Elas se negaram. Comprei né… …Fazer o quê? Até hoje me lembro que o disco dos caras era mais caro que o álbum duplo do U2 “Hatle and Hum”, que só pelo projeto gráfico, era absurdamente superior que o disco inteiro, melhor, que o repertório inteiro da carreia dos bofes do “New Kids on the Bloch”. Quando eu disse para as minhas irmãs, o preço do disco dos NKB elas queriam morrer, pois além de serem fãs do U2, tinham essa bolacha. Bolacha recheada: era um respeitável álbum duplo.

E “os pano”? O que o “jovem oriundo da classe média paulistana” vestia? Hummm… esta é a melhor parte.
Tudo o que tinha a ver com “Surf Wear”: cores cítricas nas camisetas e bermudas que eram meio agarradinhas, salvo, as camisas e as calças “semi bag”, de preferência da Chevallier.
Quando o desgraçado aprontava seu guarda roupa para “curtir a night”(o termo “balada”, irá sofrer o mesmo tipo de julgamento que “curtir a night”, ou seja: risadas de como esse termo é ridículo. Uma bobagem pois não muda nada, é só uma “nomenclatura”, uma gíria. O elenco muda, mas os personagens são os mesmos, sempre), vestia a camiseta e a camisa no estilo “Surf Wear”, dentro da calça semi bag, calçava seu tênis “Redley” ou aquele sapato ordinário que custava o preço de cinco pares, mas só levava um por causa da etiquetinha minúscula da “Cannon”(Não importava a marca. O modelo do tal sapato era “Cannon”), independente do calçado, deveria ser usado sem meia. Relógio: catracado. Se o cara tinha grana, usava o “Aqualung” original da Citizen, que o cara fazia questão de tirar do pulso para mostrar o selinho tridimensional, comprovando a originalidade do produto. Carteira da Cairê, que o mané tirava da Mochila, também da Cairê, onde levava seu material escolar contendo um caderno com a capa “produzida” com recortes da Revista Fluir: um monte de imagens de caras surfando, mulherada de topless e logotipo de marcas de: “Surf Wear”, com aquela frase maldita: “Destrua as ondas, não a natureza”. Ou era: “Destrua as ondas, não as praias”? AAHHH!!! Sei lá.

E no dia-a-dia? Depois da escola? A “molecada” de camiseta e bermuda quase ao meio das cochas, tudo em cores cítricas, apertadinha (não preciso falar mais da porra do “estilo” não é?), o teninisinho “Redley” ou o sapato “Cannon” usado também sem meia.
E as Mina? Tudo na porra do estilo “Surf Wear”. Mas época a bermudinha e a calça (Jeans, a porcaria do Moleton e outros tecidos) eram atoladas até o “lordinho”, o útero da atrevida, ou seja, quem não tinha bunda, precisava arranjar uma.

As marcas de roupas mais “transadas”(essa palavra é tão nojenta que me deixa até arrepiado) eram: Franete, Sundek, Quicksilver, Billabong, OP, Cairê, Pró Maré, UWF, Open Sea, Sea Club e a pior de todas: a Hang Loose. Aquela mãozinha foi desenhada de tudo quanto é jeito: branco e preto, preto e vermelho, tracejado, pontilhado, degradée…

E a Rabiola? O Black? O corte de cabelo dos prreibói quanto dos mano era um só: curto. Poderia até ter uma variação, mas era tudo curto. Comprido, só traveco e bandido, maconheiro, drogado, enfim: só o que não prestava. Os belo das mina era comprido com franjinha, curtinho (era o melhor, pois quem possuía esse corte, geralmente eram meninas bonitas) ou senão aquele maldito cabelo chitão.

Foi uma época que a galera se encontrava na rua. As ruas vizinhas: ou eram dos “camarada” ou era dos “prreibóii”. A rivalidade entre as ruas eram por comportamento, pois todo mundo era fudido. Quem tinha comportamento de “pseudo-burguês”, apesar de não ter grana, chamávamos de “prreibói”, são caras que viviam de aparência e futilidades. Quem assumia a periferia sem frescura, chamávamos de “Mano”. A minha rua: a Umuarama, era dividia entre esses dois blocos, porém os prrreibóis, ficavam na entrada da rua, o que às vezes, gerava algum desconforto para ambos.
E eu nessa história, o que eu era? Nada, porém já demonstrava uma tendência forte de entrar na facção dos “mano”, onde o Habitat deles eram no “triângulo das bermudas” (Os botecos do Luizão, Messias e Dario), no topo da rua.

Um dia eu estava descendo a Umuarama para ir ao supermercado junto com os meus camaradas: Josué, André, Tilo e o Domingos. Foi num sábado de tarde nas férias do final do ano, o tempo estava fechando: prenúncio de chuva de verão. Os prreibóiis estavam jogando vôlei junto com as cocócórotas. O prreibóii mais folgado, entre todos os folgados era o “Marcelo Chapéu”. Esse cara deu uma cortada na bola, ninguém conseguiu defender resultado: a redondinha foi dar um passeio na rua. Ninguém para pegar a bola para eles, quando vem subindo… ele. A bola passa, e ele nem olha. Simplesmente a deixou rolar.

O tempo parou. Na profusão de cores cítricas das indumentárias de motivos surfistas, das carinhas de bochechas rosas e garotas de carnes voluptuosas, servindo de açougue para quem quisesse pagar, surge uma figura de cores opacas monocromáticas. Os passos severos, pesados, largos e extremamente rápidos. Ao invés do silêncio da sola de borracha dos frágeis tênis Redley e do sapato “Cannon”, um coturno original do exército; escorava, machucava o asfalto. A calça jeans de corte reto, extremamente surrada e rasgada como a jaqueta, também em jeans, que foi “transformada” em um colete, com as mangas literalmente arrancadas e um desenho do iron maiden, “The Trooper”, sem o logo da banda, costurado nas costas do colete. A camiseta com as cores da Bandeira da Inglaterra, uma corrente no pescoço com vários crucifixos pretos pendurados cada elo e um maior todo cromado, medindo pouco mais que 10cm. Este crucifixo estava pendurado ao contrário.
O que era mais sórdido é que essa “coisa” era japonês. Mas ao contrário da visão caricaturada dos japoneses nerd’s, pequenos, frágeis, subservientes, de sorriso fácil e débil, “aquilo” era a antítese desta caricatura: alto (para o biótipo dos japa) e musculoso de uma forma bizarra, não era como os prreibóis que faziam academia para as cocócórtas ficarem molhadinhas e receber elogios de outros prrreibóis. Dava a impressão de que lhe faltava pele e as veias iam explodir. Em suma, parecia que o cara era só nervo, como uma construção que foi embargada no meio da obra, ficando somente a estrutura, faltando todo o resto: hidráulica, elétrica, esquadrias, etc. Possuía uma feição indiferente a tudo. Era a própria reencarnação do mau, o Anticristo.
O cabelo, comprido, conforme o vento, misturava-se aos pequenos crucifixos pretos, dando uma impressão que era uma coisa só: Uma mancha preta para emoldurar a face do mau. A rua parou. Enquanto as pessoas estavam no absurdo do silêncio de suas almas, os latidos enfurecidos dos cachorros ecoavam pela Vila Prudente. Quando chegou perto da rede de vôlei, os preeibóis a levantaram, nem parou ou diminuiu a velocidade dos passos, pois tinha a certeza que a levantariam.
A molecada de 5 a 7 anos, entravam dentro de suas casas correndo, como se estivessem fugindo de um monstro. As “Gorete” (fofoqueiras) olhavam para ele com expressão de pavor e repulsa, intercalando as mãos no rosto e o sinal da cruz como se estivessem repelindo a visão do diabo. Quando ele estava no meio da rua, começou a chover. O tempo literalmente fechou. Acabou a tarde de sábado. O sol, risonho e debochado dos prreibóis,foi eclipsado pelas trevas. Quando ele sumiu ao dobrar a esquina, olhávamos entre nós para ver quem poderia explicar o que era aquilo. Foi aí que o Tilo disse:

“Esse é o Motomo”

Não sabíamos, mas acabávamos de ver pela primeira vez, a maior influência de nossa adolescência: “Motomo: o Flagelo de Deus”

Guerra ll

Julho 29, 2008

 

“Acabo de descobrir, por exemplo, que aquele homenzino grisalho e tranquilo que está ali enrolando um cigarro, achou na guerra uma forma de suicídio”

 

do livro “Saga” de Érico Veríssimo

 

Num dado momento da mina vida, procurei minhas guerras por falta de serotonina (neurotransmissor estabilizador do humor). Ainda bem que eu não achei nenhuma dessas guerras.

Guerra

Julho 23, 2008

 

Do livro “saga” de Érico Veríssimo sobre a guerra civil espanhola.

 

A pequena população se refugiou no túnel que fica do lado espanhol, para se abrigar dos bombardeios. Foge assim à ação das bombas, mas não consegue escapar de outros perigos e misérias. A promiscuidade sórdida em que essa gente vive gera toda a sorte de doenças. O tifo dizima os habitantes do túnel. Fico a pensar que por causa do avião, uma expressão do progresso, essas criaturas são obrigadas a voltar a vida primitiva e animalesca das cavernas.

 

O diabo queira entender o mundo em que estamos vivendo.

extreme games

Julho 21, 2008

agradeço a Juliana, ao egon, a simone, ao diogenes, ao lucas, ao rubens e a nidia por comparecerem no extreme games de inverno realizado neste domingo que passou dia 20. temos registros fotográficos das provas mais constrangedoras e medievais de todo o parque do ibirapuera.

Obrigado.

nos divertimos muito, muito mesmo.

Ela voltol!!!!!!!!!!!!!!!!

Julho 13, 2008

eba!!!!!!!!!!!!!!!!!

A Nidinha voltou ao Brasil !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Viva !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

mulher issaoliana

Junho 26, 2008

-Que horas são?

-sete…

– puta queo pariu…

– Para com isso… hehehe

– Do quê?

– De falar palavrão.

– hahahahahahahaha ta bom eu paro.

– que foi?

– Se é mó bonita heim

Ela enrubrece a face e lhe dá um sorriso de volta

-Dessa cama eu não saio

– eu também

– Se viu uma resenha da Folha da exposição do Egon?

– Opah cadê?

– Ali ó!

Enquanto ele lia pensava no éden que era esse momento

– Cuidado vai se atrasar

– Ops

_ beijo

– te amo

– te amo

– Até a noite

– Até!